Agora que o DNA havia atingido o status de
super-estrela da ciência, o desafio seguinte era criar um catálogo de todas as
estrelas genéticas no firmamento humano. Iniciou-se, então, em 1980, o projeto
Genoma Humano, um esforço científico global para classificar todos os genes de
nossa composição orgânica.
Tratava-se de um projeto ambicioso e de
grandes proporções. Convencionou-se que o corpo precisava de um gene-modelo
para cada uma das 100 mil proteínas que compõem nosso corpo e também de mais 20
mil genes reguladores para orquestrar a atividade de codificação das proteínas.
Os cientistas concluíram que o genoma humano deveria conter um mínimo de 120
mil genes entre nossos 23 pares de cromossomos.
Mas não era só isso. Parecia que os
cientistas estavam no meio de uma piada cósmica, o tipo daquela que acontece
sempre que alguém acha que descobriu os segredos do universo. Imagine o impacto
que Nicolau Copérnico causou ao anunciar em 1543 que a Terra não era o centro
do universo como pensavam os cientistas-teólogos da época. O fato de que era a
Terra quem gravitava ao redor do Sol e o de que nem mesmo o Sol era o centro do
universo colocaram em xeque os ensinamentos da Igreja. As descobertas de
Copérnico deram início à revolução científica ao desafiar o conceito de
"infalibilidade" da Igreja e fizeram com que a ciência a substituísse
como fonte de conhecimento e de descoberta dos mistérios do universo.
Os geneticistas também tiveram um grande
choque ao descobrir que, ao contrário de sua estimativa de 120 mil genes, o
genoma humano tem apenas 25 mil (Pennisi, 2003a e 2003b; Pearson, 2003;
Goodman, 2003). Mais de 80 por cento do que se presumia ser DNA simplesmente
não existe! A falta desses genes causou mais impacto do que se poderia supor. O
conceito de gene e proteína únicos era o princípio básico do determinismo
genético. Com isso, o projeto Genoma Humano veio abaixo e todos os nossos
conceitos sobre o funcionamento básico da vida tiveram de ser revistos. Não era
mais possível continuar acreditando que a engenharia genética iria resolver
todos os dilemas biológicos. Não há genes suficientes para compor um quadro tão
complexo quanto a vida ou as doenças humanas.
O verme primitivo Caenorhabditis serve de
modelo perfeito para o estudo do papel dos genes no desenvolvimento e no
comportamento dos seres. E um organismo que cresce e se desenvolve com muita
rapidez, tem um corpo de padrão preciso composto de exatamente 969 células e um
cérebro muito simples de 302 células.
No entanto, apresenta um repertório único
de comportamento e é bastante dócil para o trabalho em laboratório. Têm
aproximadamente 24 mil genes (Blaxter, 2003). O corpo humano, composto de mais
de 50 trilhões de células, contém apenas 1500 genes a mais que este microscópico
e humilde ser.
A mosca-das-frutas, outro espécime
preferido dos cientistas para este tipo de estudo, possui 15 mil genes
(Blaxter, 2003; Celniker et al., 2002). Portanto, esta pequena mosca, de
organismo muito mais complexo, tem nove mil genes a menos que o primitivo verme
Caenorhabditis. E quando se trata de comparar homens e ratos a situação é ainda
mais crítica. Teremos de passar a tratá-los com mais dignidade, pois os
resultados dos projetos genoma paralelos revelam que humanos e roedores têm aproximadamente
o mesmo número de genes!
Biologia da
Crença. Bruce H. Lipton.
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